Somos todos aprendizes.

O aprendizado está sempre presente em nossas vidas, em vários lugares, com vários “professores”, em todos os momentos, através de interações e de experiências que nos ajudam a desenvolver habilidades e competências, com objetivos de sermos bem sucedidos na vida, como um bom cidadão, um bom profissional, e um bom educador, seja como pai ou mãe, ou em outra situação.

É fundamental que a criança aprenda a aprender para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação, formação formal ou informal, ao longo de toda a vida. De acordo com Jacques Delors, existem quatro tipos de aprendizagens fundamentais:

– Aprender a conhecer, ou seja, adquirir os instrumentos de compreensão;
– Aprender a fazer, para poder agir, colocar em prática o seu conhecimento;
– Aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros; e
– Aprender a ser, que significa o autoconhecimento.

Normalmente, o ensino academico, formal,  é orientado para o aprender a conhecer, onde aprendemos como e onde buscar o conhecimeno. A informação no mundo atual é de fácil acesso, mas precisamos ter a habilidade de fazer as perguntas certas, encontrar a melhor informação, ou a mais apropriada, e aplicá-la no mundo real.

As atividades dos encontros são desenvolvidas para proporcionar um processo de aprendizado através da experiência, vivência, onde a criança é encorajada a pensar de forma crítica, questionar, explorar, tomar decisões e aplicar ou pensar em como podem aplicar o aprendizado. A criança deve ser capaz de colocar em prática o conhecimento adquirido nas suas experiências de vida, pessoal ou profissional, ajudando-as a resolver problemas e tomar decisões.

Em todos os encontros, as crianças são sempre convidadas a compartilhar o seu aprendizado e sua experiência com o grupo. O processo de compartilhamento ajuda a criança a estruturar seu pensamento e a praticar a comunicação. Ao mesmo tempo, as crianças têm a oportunidade de trocar ideias e  perceberem que nem todos pensam de forma igual. As crianças aprendem a ouvir e respeitar as diferentes opiniões, valores e entendimentos. Neste processo de compartilhamento, a criança desenvolve a percepção e compreensão dos outros; que problemas pode ser vistos por diferentes pontos de vistas, sem tem, necessariamente o certo e o errado. Esta percepção é importante nas interações em grupo, seja na realização de projetos em comum, como numa negociação ou gerenciamento de conflito.

A criança deve, antes de tudo, se conhecer- suas emoções, suas habilidades e limitações, seus pontos fortes e fracos, e se respeitar para melhor desenvolver sua personalidade e agir com autonomia, dicernimento e responsabilidade. O processo de reflexão ajuda a criança a analisar como ela resolveu um problema ou interpreta uma situação e considerar meios de melhorar o seu desempenho ou ampliar a sua percepção em relação a uma situação, considerando novos pontos de vistas. A criança deve entender que existe flexibilidade no pensamento e que sempre que ela adquiri novo conhecimento e ou ter alguma nova experiência, ela deve verificar se houve ou se deve haver mudança no seu modo de pensar.

As rotinas do livro “Making Thinking Visible” que utilizaremos em vários encontros ajudam neste processo de reflexão e de externalização do processo de pensamento, e sua racionalização, através de evidências, e, ao mesmo tempo, favorecendo a troca de ideias e percepção sobre os diferentes modos de pensar e de solucionar ou abordar o mesmo problemas das outras crianças.

Queremos promover e vivenciar um ambiente onde somos todos aprendizes. Não teremos professores e sim facilitadores, que não serão necessariamente especialistas nos assuntos abordados e aprenderão e crescerão juntos com as crianças. Entendemos que nosso projeto, assim como nossa vida, deverá ser um aprendizado contínuo para melhorar a experiência de aprendizado de nossas crianças.

Nos encontros o facilitador irá monitorar e ajudar a guiar os debates e os questionamentos, enquanto as crianças compartilham o seu conhecimento, suas experiências e os seus questionamentos. O objetivo é promover a discussão e reflexão, disponibilizando os meios e conduzindo o encadeamento das ideias, evitando respostas diretas. A criança deve compreender que ela é a responsável pelo seu aprendizado. O facilitador tem o papel de ajudá-la neste processo e nós todos do Incrível Mente temos o papel de promover um ambiente que estimule o aprendizado, o questionamento, a colaboração, a criatividade e a experimentação.

Fontes: Setting Standard for project Based Learning, John Larmer, Educação um tesouro a descobrir, Jacques Delors e Making Think Visible,  Ron Ritchhart, Mark Church, Karin Morrison